sexta-feira, 11 de março de 2016

Uma crise chamada Brasil

Tenho tido dificuldade em escolher lado nesse Fla-Flu político em que o Brasil se transformou.

Sinto um clima de guerra civil que não nos levará a lugar algum, partindo do princípio que somos um país fadado ao fracasso.

Nosso imobilismo, senso de oportunismo e caráter duvidoso não mudam, seja quem sopre os ventos do poder. Somos um país em que bons exemplos e iniciativas louváveis tornam-se pauta dos jornais, de tão exceções que são, quando deveriam ser rotina.

A mídia, inclusive, desempenha, sem dúvida, papel importante nesse Fla-Flu. É inegável o esforço dos maiores veículos de comunicação em provar o caos em que se transformou o atual governo.

Seletividade igualada pelas mídias alternativas e alinhadas com o poder, assim como são seletivos os argumentos contra e a favor dos protagonistas da crise.

Objetivamente, vejo as coisas como elas são. A política inclusiva dos anos 2003 a 2010 elevou o custo da Nação até a bolha estourar. A conta repassada ao contribuinte serviu tanto para dar conta das promessas quanto para cobrir a roubalheira. E hoje o país quebrou.

Trabalhadores informais podem não sentir esse efeito, mas os heróis que têm carteira assinada sabem o quanto os descontos aumentaram. Imposto de renda, então, nem se fala.

Admiro a defesa ideológica do um governo teoricamente socialista, mas quando se transforma em cegueira passo a desconfiar.

A análise dos últimos 13 anos passa pelos aplausos às políticas afirmativas e à liberdade das instituições, tanto quanto passa pela crítica às insatisfações cada vez maiores e ao modus operandi de desvios que parece nunca ter fim.

É irônico como um governo dos trabalhadores pode ter sido palco, nos últimos anos, de tantas greves e manifestações de praticamente todas as categorias profissionais vitais para o desenvolvimento do país.

Na troca de governo de 2010, o Planalto teve a oportunidade de rever a gastança para reequilibrar as contas, mas optou em não desagradar a massa e em se manter no poder.

Da mesma forma, a oposição de hoje não apresenta propostas, não tem planos, não sabe como corrigir o rumo. Mas manobra firmemente para assumir o controle das coisas. E se isso acontecer, como parece que vai, estaremos indo rumo ao desconhecido.

A máquina de informação e a incrível disposição do Judiciário em “fazer justiça” a essa altura do campeonato me convencem, de fato, de que o atual mandato da presidente está com os dias contados.

É difícil definir se é justo ou não. Historicamente, não há elementos maiores ou menores do que em outras eras que justifiquem tamanho apetite pela cassação, assim como é rísível mandarem prender o ex-presidente porque ele representa “perigo” para o país. No entanto, prova-se cada vez mais sermos vítimas de uma administração no mínimo conivente com tanto sumiço de dinheiro.

Em meio ao disse-me-disse dos parlamentares, ex-presidentes, potenciais candidatos e torcida organizada das redes sociais, ninguém governa mais o Brasil, e é esse o ponto crucial dessa história toda.  


Enquanto se fica preocupado em vestir camisa para defender os políticos e arrumar briga com quem veste a camisa contrária, eles só pensam em como livrar a própria pele e, se possível, tomar as rédeas do jogo.