Tenho tido dificuldade em escolher lado nesse Fla-Flu político em que o
Brasil se transformou.
Sinto um clima de guerra civil que não nos levará a lugar algum,
partindo do princípio que somos um país fadado ao fracasso.
Nosso imobilismo, senso de oportunismo e caráter duvidoso não mudam,
seja quem sopre os ventos do poder. Somos um país em que bons exemplos e
iniciativas louváveis tornam-se pauta dos jornais, de tão exceções que são,
quando deveriam ser rotina.
A mídia, inclusive, desempenha, sem dúvida, papel importante nesse
Fla-Flu. É inegável o esforço dos maiores veículos de comunicação em provar o
caos em que se transformou o atual governo.
Seletividade igualada pelas mídias alternativas e alinhadas com o poder,
assim como são seletivos os argumentos contra e a favor dos protagonistas da
crise.
Objetivamente, vejo as coisas como elas são. A política inclusiva dos
anos 2003 a 2010 elevou o custo da Nação até a bolha estourar. A conta
repassada ao contribuinte serviu tanto para dar conta das promessas quanto para
cobrir a roubalheira. E hoje o país quebrou.
Trabalhadores informais podem não sentir esse efeito, mas os heróis que
têm carteira assinada sabem o quanto os descontos aumentaram. Imposto de renda,
então, nem se fala.
Admiro a defesa ideológica do um governo teoricamente socialista, mas
quando se transforma em cegueira passo a desconfiar.
A análise dos últimos 13 anos passa pelos aplausos às políticas
afirmativas e à liberdade das instituições, tanto quanto passa pela crítica às
insatisfações cada vez maiores e ao modus operandi de desvios que parece nunca
ter fim.
É irônico como um governo dos trabalhadores pode ter sido palco, nos
últimos anos, de tantas greves e manifestações de praticamente todas as
categorias profissionais vitais para o desenvolvimento do país.
Na troca de governo de 2010, o Planalto teve a oportunidade de rever a
gastança para reequilibrar as contas, mas optou em não desagradar a massa e em
se manter no poder.
Da mesma forma, a oposição de hoje não apresenta propostas, não tem
planos, não sabe como corrigir o rumo. Mas manobra firmemente para assumir o
controle das coisas. E se isso acontecer, como parece que vai, estaremos indo
rumo ao desconhecido.
A máquina de informação e a incrível disposição do Judiciário em “fazer
justiça” a essa altura do campeonato me convencem, de fato, de que o atual
mandato da presidente está com os dias contados.
É difícil definir se é justo ou não. Historicamente, não há elementos
maiores ou menores do que em outras eras que justifiquem tamanho apetite pela
cassação, assim como é rísível mandarem prender o ex-presidente porque ele
representa “perigo” para o país. No entanto, prova-se cada vez mais sermos
vítimas de uma administração no mínimo conivente com tanto sumiço de dinheiro.
Em meio ao disse-me-disse dos parlamentares, ex-presidentes, potenciais
candidatos e torcida organizada das redes sociais, ninguém governa mais o
Brasil, e é esse o ponto crucial dessa história toda.
Enquanto se fica preocupado em vestir camisa para defender os políticos
e arrumar briga com quem veste a camisa contrária, eles só pensam em como
livrar a própria pele e, se possível, tomar as rédeas do jogo.